Viagem à Etiópia- INJERA

25.6.17
Injera pão achatado ou crepe?...
 
As Injeras são grandes crepes que acompanham a maior parte das refeições na Etiópia, feitos com farinha fermentada em água durante 2-3 dias e depois assados numa chapa de ferro ou numa placa de barro, que se colocam sobre um fogão; devido à fermentação, as injeras são húmidas e fofas e são colocadas sobre um prato onde se servem todo o tipo de legumes ou carnes em molho picante com ou sem ovos cozidos. Podem servir de prato ou são partilhadas por várias pessoas, que vão tirando pedaços da injera e, com esse pedaço, agarram uma porção de comida para a levarem à boca.
Tradicionalmente, as injeras eram feitas com farinha de tefe (teff). Como a produção não é muito grande, esta farinha tornou-se relativamente cara e passou a ser misturada com farinha doutros cereais que sejam cultivados na região (ou feita apenas com farinha desses cereais), como trigo, cevada, milho ou arroz; devido a essas variantes, existem vários tipos de injera, basicamente brancas ("nech"), vermelhas ("kay") ou escuras ("tikur").
As injeras são igualmente populares na Somália, conhecidas como "kanjiro", no Djibouti ("lahuh") e no Iémen ("lahoh"). 

Gosto de usar esta farinha de vez em quando não só pela sua riqueza nutricional mas também porque, sendo isenta de glúten, é mais uma alternativa que pode ser oferecida a quem é intolerante a esta proteína que se encontra no trigo.


Receita

Crepe

200g de farinha de teff*
1 pitada de sal
1colh. de sopa de fermento para pão
água morna q.b

Salteado de legumes

1 cebola
2 cenouras cortadas às rodelas
1 pimento verde italiano
1chav. de abóbora patisson**
1 dente de alho
1 cháv. de polpa de tomate
2 cháv. de feijão cozido (usei feijão preto)
azeite q.b.
2 folhas de louro
1 colh. de chá de cominhos em pó
1colh. de chá de curcuma
1 colh de chá de gengibre em pó
1 molho de coentros frescos

Misturar a farinha a levedura em pó e o sal. Ir juntando água morna até obter uma massa fluída. Deixar repousar enquanto se prepara o salteado.
Refogar ligeiramente a cebola picada e o alho no azeite. Juntar as especiarias e o pimento (sem as sementes e cortado em tiras) e deixar apurar um pouco . Adicionar a abóbora (descascada e cortada em cubos, a cenoura e a polpa de tomate. Adicionar um pouco de água e deixar cozinhar até a abóbora amolecer. No final adicionar o feijão e deixar envolver os ingredientes mais 5 minutos. Reservar.

Aquecer uma frigideira, ligeiramente untada com azeite, e preparar os crepes no tamanho que preferir.

Estes servirão de base para acompanhar os legumes.




*A farinha de teff pode comprar-se em supermercados biológicos como o Brio, Amor Bio, Celeiroe e, por vezes, em grandes superfícies:




**A abóbora patisson é esta que podem ver na imagem abaixo e foi colhida na minha horta :). 


Paella sem bicho - not Hemingway mood

23.4.17
Numa interpretação demasiado simplista e talvez herética para os puristas da culinária costumo dizer que a paella é o risotto dos espanhóis.

A paella é um prato típico de Valência. Tem as cores dos dias sufocantes de sol espanhóis e respira alegria e garra com uma profusão de cores e ingredientes antagónica e ao mesmo tempo perfeita.

Se retirarmos todos os ingredientes de origem animal da receita original o que é que nos sobra?

Basicamente todas as outras coisas que são consideradas como comida, com cor, variedade e sabor de origem vegetal, sem cara e sem pai nem mãe :) !

Ou seja , qualquer coisa como cerca de 275 000 alimentos de origem vegetal. Que tédio, não?...

Quando adapto receitas tradicionais à alimentação vegetariana, por uma questão de estética (e só...já que as coisas más não se substituem, eliminam-se) tento manter o mesmo aspecto.

A paella vegetariana tem tudo o que é verdadeiramente importante. A sério.




RECEITA

400 g de arroz "bomba" (usei arroz arborio porque já não tinha daquele em casa)
2 cebolas picadas
3 dentes de alho picados
3 colh. de chá de pimentão doce (ou paprika)
1 colh de chá de turmérico
1/2 colh de chá de pimenta de cayenna
Sumo de 1 limão
2 pimentos vermelhos cortados em tiras
1 1/2 l de caldo vegetal
200 g de tomate pelado e desfeito em pedaços
350 g de ervilhas
250 g de cogumelos frescos
sal e pimenta a gosto
Facultativo: Salsa, azeitonas, salsichas de tofu

Saltear a cebola e os alhos com azeite numa paelheira (não é imprescindível se tiver uma tacho largo) até ficarem ligeiramente tostados. Reduzir o lume e juntar as especiarias, o sumo de limão e temperar com sal e pimenta.

Juntar o arroz , metade do caldo vegetal e o tomate. Tapar o tacho e deixar cozinhar com o lume baixo cerca de 20 minutos juntando mais caldo se necessário. De seguida juntar o pimento. Quando este começar a amaciar, cerca de 10 minutos depois  adicionar as ervilhas e 5 minutos depois os cogumelos e o resto do caldo.

Servir na paelheira (se a utilizar) e decorar com salsa picada e azeitonas.

Eu acrescentei salsichas de tofu biológicas da marca taifun





Heart Beet e mais uma tarte

14.3.17
Com a quantidade de beterrabas que nascem na minha horta não tenho mãos a medir para escoar este ingrediente em todo o tipo de receitas doces ou salgadas, crua ou cozinhada, sumos e sopas.

Como têm muitas propriedades nutritivas e medicinais pode dizer-se que cá por casa se respira saúde aos montes e vamos todos morrer muito saudáveis :) . 

Perdi a conta das tartes de beterraba que já fiz, inventadas ou inspiradas em receitas, com menos ou mais sucesso como esta que deu origem à minha estreia no mundo dos workshops de cozinha vegetariana.

À excepção das bases feitas com massa filo e com massa folhada (sim...eu tenho vida), faço sempre as minhas em casa, porque na realidade, é o dá menos trabalho em todo o processo.

O ideal é ter sempre uma receita caseira e saudável "no brain choice" testada e praticada que sai sempre bem quando temos pouco tempo (que é quase sempre..) e depois ir fazendo experiências com outro tipo de farinhas.


 Desta vez, também trouxe dois molhos grandes de espinafres da minha horta aproveitando logo um  deles para enriquecer esta tarte.


RECEITA

        Ingredientes:

Base 

1 cháv. de farinha de trigo sarraceno
1 cháv. de farinha de aveia
1 colh. de chá de fermento para bolos
1/2 colh de chá de bicarbonato de sódio
1/2 cháv. de leite de soja (ou outro leite de origem vegetal sem açúcares adicionados)
30ml de azeite
40 ml de água
sal q.b.

Juntar os ingredientes secos e adicionar os restantes líquidos até conseguir uma massa moldável mas ligeiramente pegajosa. Colocar directamente numa tarteira (previamente untada com azeite ou forrada com papel vegetal) e ir esticando manualmente até cobrir o fundo e os lados. Picar com um garfo e reservar.

Recheio 1

1 molho grande de espinafres (utilizar só as folhas)
3 dentes de alho
1 colh. sopa de azeite

Aquecer o azeite numa frigideira juntamente com os alhos descascados e picados. Adicionar as folhas de espinafre e saltear até amolecerem. Escorrer o líquido e reservar.

Recheio 2

6 beterrabas médias


 Cozer as beterrabas, com casca em água a ferver com sal cerca de 30 a 40 minutos. Ir verificando com a ponta de uma faca para saber se já estão cozinhadas. Escorrer, deixar arrefecer, pelar e de seguida ralar grosseiramente.

Recheio 3

1 embalagem de tofu macio (cerca de 400g) - se não encontrar pode utilizar o firme
30ml de sumo de limão
40 ml de azeite
1 1/2 colh. de sopa de vinagre de sidra
1 colh. de sopa de vinagre balsâmico
3-4 dentes de alho
1/2 colh sopa de tamari (ou molho de soja)
1/2 colh. de sopa de xarope de ácer (ou de agave ou de coco)
sal e pienta q.b.

Processar todos os ingredientes num robot de cozinha até obter uma mistura homogénea e cremosa.

Cobertura ("Parmesão" vegan)

1/2 cháv. de cajú cru sem sal
2 colh. de sopa de levedura de cerveja
sal q.b.

Triturar todos os ingredientes e reservar.


Montagem

Pré-aquecer o forno a 200º.

Espalhar os espinafres na base da tarte. Colocar por cima metade do preparado de tofu e sobre este metade das beterrabas raladas espalhando. Repetir a processo com os ingredientes restantes. Levar ao forno cerca de 30 minutos. Retirar do forno para polvilhar com o "parmesão" vegan e voltar novamente mais 10 minutos para dourar ligeiramente a parte de cima.






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